Pain

09:52


Olho pela janela a fora. A escuridão me cerca. Lá fora, o frio e a chuva me aguardam. Ouço o abafado som da chuva batendo no teto e vejo-a escorrendo pelo vidro da janela. A melancolia me toma por completo, nada comparado acontecera antes, nada.
Minha vida poderia ser comparada com a tempestade lá fora, raios rasgam o céu e trovões ressoam. A força do vento e da chuva cria uma grande confusão, por vezes destruindo tudo que há pela frente. Aqui dentro, em meu refugio não posso sentir a força impetuosa dela, mas em compensação não preciso sair lá fora para senti-la, ela já está aqui dentro de mim. Tudo o que toco vira pó, tudo que falo fere, de algum modo tudo que faço machuca. Há destruição e dor à minha volta.
Me encolho, a temperatura cai e sinto frio. Lá fora, em meio à tempestade e machucado está a única pessoa que me importa, e a única que não posso salvar. Destruído pelas minhas palavras e atos, não sobrara nada além de sua sombra. Não existe nada para resgatar. Sinto, em meu âmago a mais cortante dor que eu já sentira em toda a minha existência, profunda e sincera é como o mais alto grito de desespero de minha velha alma. Contorno os cacos das louças quebradas, os restos do que eram nossas fotos no chão e abro a porta. A rajada de vento me atinge em cheio, a chuva adentra a casa e molhando o piso de madeira. Não há nada para salvar, não há nada a perder. Caminho lentamente pelo gramado, as lágrimas se misturam com a chuva. Sinto o seu cheiro, sinto a sua presença. Desabo, os soluços tomam conta de mim, toco a terra, onde um dia ele esteve. Tento sentir pelo menos um traço de sua passagem, mas ele se fora para sempre. Aos poucos meu corpo entorpece e fico encolhida no úmido e frio esperando em fim a tempestade me levar para onde for que ele esteja.

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